Coletiva de Imprensa do Presidente

Coletiva de Imprensa do Presidente

CASA BRANCA
Escritório do Secretário de Imprensa

Para divulgação imediata
Sala de Imprensa James S. Brady

14h40 (horário da Costa Leste dos EUA)

PRESIDENTE: Boa tarde. Esta é a coletiva de imprensa mais incrível do ano. Tenho uma lista de quem se comportou mal e quem se comportou bem para chamar. (Risos.) Mas primeiro quero falar brevemente sobre alguns assuntos e depois responderei às perguntas de vocês.

Normalmente uso esta entrevista coletiva de fim de ano para analisar o que realizamos durante o ano. Hoje, compreensivelmente, falarei um pouco sobre o que realizamos nos últimos oito anos.

Quando eu estava me preparando para assumir o cargo, a taxa de desemprego estava chegando a 10%. Hoje, está em 4,6% – a mais baixa em quase uma década. Presenciamos o mais longo período de crescimento do emprego já registrado, e os salários subiram mais rápido nos últimos anos do que em qualquer momento dos últimos 40 anos.

Quando assumi, 44 milhões de pessoas não tinham seguro-saúde. Hoje, já cobrimos mais de 20 milhões dessas pessoas. Pela primeira vez em nossa história, mais de 90% dos americanos possuem seguro. Na verdade, ontem foi o melhor de todos os dias para o HealthCare.gov. Mais de 670.000 americanos se registraram para obter o seguro, e cada vez mais pessoas estão se registrando.

Reduzimos nossa dependência de petróleo estrangeiro em mais da metade, dobramos a produção de energia renovável, promulgamos as reformas mais abrangentes desde o governo Roosevelt para proteger os consumidores e evitar que uma crise em Wall Street puna mais uma vez toda a economia. Nenhuma dessas medidas restringiu o crescimento, como previram os críticos. Em vez disso, o mercado acionário quase triplicou. Desde que sancionei o Obamacare, nossas empresas criaram mais de 15 milhões de novos empregos. E a economia está, sem dúvida, mais forte do que estava nos dias em que dependíamos de petróleo de nações instáveis e os bancos faziam apostas arriscadas com o dinheiro das pessoas.

O resultado foi que no ano passado o índice de pobreza caiu à taxa mais rápida em quase 50 anos, ao passo que a renda média domiciliar cresceu à taxa mais rápida já registrada. Na verdade, o crescimento de renda foi maior entre os domicílios de renda baixa e média do que entre os de renda alta. E fizemos tudo isso reduzindo nossos déficits em quase dois terços e protegendo investimentos vitais que ampliam a classe média.

Na política externa, quando assumi, estávamos em meio a duas guerras. Agora, quase 180 mil soldados foram reduzidos a 15 mil. Bin Laden, em vez de estar à solta, foi retirado do campo de batalha, assim como milhares de outros terroristas. Nos últimos oito anos, nenhuma organização terrorista estrangeira executou um ataque de sucesso a nosso território que tenha sido conduzido do exterior.

Por meio da diplomacia, garantimos que o Irã não possa obter uma arma nuclear – sem entrar em guerra contra o Irã. Abrimos um novo capítulo com o povo de Cuba. E reunimos quase 200 nações em um acordo do clima que poderá muito bem salvar este planeta para nossos filhos. E quase todos os países do mundo veem os Estados Unidos mais fortes e mais respeitados hoje do que há oito anos.

Em outras palavras, por muitos aspectos, nosso país está mais forte e próspero do que estava quando começamos. Essa é uma situação que tenho orgulho de deixar para o meu sucessor. E é graças ao povo americano – ao trabalho duro que vocês realizaram, aos sacrifícios que fizeram por suas famílias e comunidades, às empresas que criaram ou nas quais investiram, à forma como cuidaram uns dos outros. E eu não poderia estar mais orgulhoso de ser o presidente de vocês.

É claro que comemorar esses progressos não significa que não temos consciência de que ainda há muito a se fazer. Especialmente nesta época, que nos lembra de que ainda há pessoas com fome, pessoas sem teto; pessoas que ainda têm dificuldade para pagar as contas ou encontrar emprego após serem demitidas. Há comunidades ainda em luto por aqueles que foram tirados de nós por uma violência armada sem sentido, e pais ainda preocupados sobre como proteger seus filhos. Depois de deixar a Presidência, pretendo continuar a trabalhar com organizações e cidadãos, fazendo o bem por todo o país, lidando com essas e outras questões urgentes para avançar além do que já avançamos.

Em todo o mundo, também há áreas problemáticas onde disputas saíram do controle, conflitos eclodiram e, como consequência, pessoas inocentes estão sofrendo. E em nenhum lugar isso é mais terrivelmente real do que na cidade de Alepo. Durante anos, trabalhamos para pôr fim à guerra civil na Síria e atenuar o sofrimento humano. Foi uma das questões mais difíceis que enfrentei como presidente.

O mundo, neste momento, está unido e horrorizado com o ataque selvagem do regime sírio e de seus aliados russos e iranianos contra a cidade de Alepo. Vimos uma estratégia deliberada de cercar, sitiar e forçar civis inocentes à fome. Vimos trabalhadores humanitários e médicos convertidos impiedosamente em alvos; bairros inteiros reduzidos a destroços e pó. Há relatos contínuos de execuções de civis. Essas são violações terríveis do Direito Internacional. A responsabilidade por essa brutalidade está em um único lugar – com o regime de Assad e seus aliados Rússia e Irã. E esse sangue e essas atrocidades estão em suas mãos.

Todos sabemos o que precisa acontecer. É necessária uma força internacional imparcial de observadores em Alepo que possa coordenar uma evacuação ordenada por corredores de segurança. É necessário o acesso pleno à ajuda humanitária, ainda que os Estados Unidos continuem a ser o maior doador mundial de ajuda humanitária ao povo sírio. E, depois disso, é necessário um cessar-fogo mais amplo que possa servir de base para uma solução política, e não militar.
É isso que os Estados Unidos continuarão a defender com nossos parceiros e por meio de instituições multilaterais como a ONU.

Lamentável, porém previsivelmente, a Rússia bloqueou ações do Conselho de Segurança nesse sentido repetidas vezes. De modo que continuaremos a pressionar o Conselho de Segurança para ajudar a melhorar a entrega de ajuda humanitária aos que precisam dela tão desesperadamente, a garantir que os responsáveis respondam por seus atos e, inclusive, a monitorar o uso potencial de armas químicas na Síria. E também vamos trabalhar na Assembleia Geral da ONU, tanto na questão da responsabilização quanto para avançar um acordo político. Porque é preciso ficar claro que, apesar de vitórias táticas, no longo prazo o regime de Assad não pode obter legitimidade por meio de massacres.

É por isso que continuaremos a defender uma transição a um governo mais representativo. E é por isso que o mundo não pode fechar os olhos aos terríveis acontecimentos que estão se desenrolando. O regime sírio e seus aliados russos e iranianos tentam ofuscar a verdade. O mundo não deve se deixar enganar. E o mundo não se esquecerá.

Por isso, mesmo em uma época em que as bênçãos incríveis que conhecemos como americanos estão por todos os lados, mesmo quando desfrutamos da companhia da família e dos amigos e lembramos de como temos sorte, também precisamos lembrar de que ser americano inclui carregar fardos e cumprir obrigações com outros. Os valores e ideais americanos são o que nos levarão a um 2017 mais seguro e próspero, aqui e no exterior.
E, a propósito, poucos incorporam esses valores e ideais como nossos corajosos homens e mulheres militares e suas famílias. Assim, quero encerrar desejando a todos eles um Natal muito feliz e um feliz Ano-Novo.

Com isso, responderei a algumas perguntas. E vou começar com Josh Lederman, da AP.

P: Obrigado, senhor presidente. Há uma percepção de que o senhor está deixando o presidente Putin se safar após interferir na eleição americana e que uma resposta que ninguém conhece ou uma análise retrospectiva simplesmente não resolverão. O senhor está pronto para declarar o presidente Putin pessoalmente responsável por solicitar esse ataque cibernético? E o senhor concorda com o que diz a Hillary Clinton agora, que a invasão foi, em parte, responsável por sua derrota? E os conflitos evidentes entre seu governo e Trump e sua equipe sobre essa questão estão afetando a transição tranquila de poder que o senhor prometeu?

PRESIDENTE: Bem, em primeiro lugar, com relação à transição, acho que eles serão os primeiros a reconhecer que fizemos tudo o que pudemos para que fosse tão satisfatória como prometi. E isso continuará. E, há apenas alguns dias, conversei com o presidente eleito sobre uma série de questões ligadas à transição. Essa cooperação continuará.

Não houve muito bate-boca. Simplesmente, o que dissemos são fatos, ou seja, que com base em avaliações do Serviço de Inteligência, os russos foram responsáveis por hackear o Comitê Nacional Democrata e, como consequência, é importante que analisemos todos os elementos relacionados e que evitemos que esse tipo de interferência por ataque cibernético volte a acontecer.

Essa deveria ser uma questão bipartidária; não uma questão partidária. Minha esperança é de que o presidente eleito tenha preocupações semelhantes quanto à proteção do nosso processo eleitoral contra possíveis influências estrangeiras. Acho que nenhum americano quer isso. E isso não deveria dar origem a uma discussão.

Acho que parte do desafio é que isso pode entrar na ressaca da campanha eleitoral. E acredito ser muito importante para nós distinguir entre a política das eleições e a necessidade de nós, como país, tanto de uma perspectiva de segurança nacional como também em termos da integridade de nosso sistema eleitoral e nossa democracia, não criarmos uma disputa política nesse sentido.

Agora, com relação a como isso se deu no último ano, vamos voltar, muito brevemente, aos fatos. No inicio do terceiro trimestre, fomos alertados sobre a possibilidade de o Comitê Nacional Democrata ter sido hackeado, e imediatamente ordenei às nossas equipes de aplicação da lei e de inteligência que descobrissem tudo sobre o assunto, que o investigassem exaustivamente, para que informássemos as possíveis vítimas dessa invasão, para que informássemos de forma bipartidária os líderes da Câmara e do Senado e os comitês de inteligência competentes. E quando tivemos clareza e certeza sobre o que, de fato, ocorrera, anunciamos publicamente que a Rússia havia invadido o sistema do Comitê Nacional Democrata.

Na ocasião, não atribuímos motivos nem interpretações sobre por que o fizeram. Não discutimos quais poderiam ser os efeitos disso. Simplesmente informamos as pessoas, o público, assim como informáramos os parlamentares, o que havia ocorrido.

Como consequência, todos vocês escreveram muitos artigos sobre o ocorrido e depois interpretaram por que isso poderia ter ocorrido e que efeitos isso teria sobre os resultados das eleições. Nós, não. E não o fizemos porque nesse clima ultrapartidário, em um momento em que minha principal preocupação era garantir a integridade do processo eleitoral, em um momento em que tudo o que eu ou qualquer pessoa da Casa Branca dissesse seria imediatamente interpretado sob uma perspectiva partidária, quis ter certeza de que todos entendessem que estávamos fazendo a coisa certa – que não estávamos tentando tirar vantagem para um ou outro lado, mas que estávamos tentando informar as pessoas do ocorrido; então se vocês começassem a ver efeitos nas eleições, se tentassem mensurar por que isso estava acontecendo e como consumir as informações que vazaram, poderiam querer levar isso em conta.

E é exatamente assim que deveríamos ter lidado com isso. Imaginem se tivéssemos feito o contrário. Isso teria se transformado imediatamente em mais uma confusão política. E parte do nosso objetivo era não fazer o trabalho dos vazadores para eles, questionando cada vez mais a integridade da eleição, bem nas vésperas da eleição – em um momento, diga-se de passagem, em que o próprio presidente eleito estava questionando a integridade da eleição.
Por último, acho que vale ressaltar que a informação já havia vazado. Estava nas mãos do WikiLeaks, de forma que se tornaria pública de qualquer maneira. O que me preocupava, em particular, era garantir que isso não estivesse ligado a possíveis ataques que pudessem atrapalhar a contagem de votos, afetar o processo eleitoral em si.

Portanto, em setembro, quando encontrei o presidente Putin na China, senti que a forma mais eficaz de assegurar que isso não aconteceria era falar diretamente com ele e pedir para que parasse, e que haveria sérias consequências caso ele insistisse. E, de fato, não detectamos outras interferências no processo eleitoral. Mas os vazamentos pelo WikiLeaks já haviam ocorrido.

Então quando analiso como tratamos essa questão, acho que a tratamos da maneira que a deveríamos tratar. Permitimos que os agentes da lei e a comunidade de inteligência fizessem seu trabalho sem influência política. Informamos todas as partes envolvidas sobre o que estava acontecendo. Quanto chegamos a um consenso sobre o que ocorrera, foi feito um anúncio – não pela Casa Branca, não por mim, mas pelas próprias comunidades de inteligência que realizaram as investigações. Depois permitimos que vocês e o público americano avaliassem o peso dessa questão nas eleições.

E a verdade é que não havia ninguém aqui que não tivesse alguma noção do tipo de efeito que isso poderia ter. Estou achando um pouco curioso que de repente todos se mostrem surpresos por isso parecer desvantajoso para a Hillary Clinton, já que vocês mesmos escreveram sobre isso todos os dias. Sobre todos os vazamentos. Quase todo pequeno detalhe suculento da fofoca política – incluindo a receita de risoto de John Podesta. Essa foi uma obsessão que dominou a cobertura jornalística.

Por isso acredito que vale a pena refletirmos sobre como uma eleição presidencial de tamanha importância e magnitude, com tantas grandes questões em jogo e com tamanho contraste entre os candidatos, chegou a ser dominada por alguns desses vazamentos. O que no nosso sistema político nos tornou tão vulneráveis a esses tipos de possível manipulação – que, como disse em público anteriormente, não eram particularmente sofisticados.

Não se tratou de um esquema de espionagem sofisticado e complicado. Invadiram alguns e-mails do Partido Democrata de conteúdo bastante rotineiro, alguns embaraçosos ou desconfortáveis, porque suspeito que, se invadissem o e-mail de qualquer um de nós, poderia haver algumas coisas ali que não gostaríamos de ver subitamente na primeira página de um jornal ou no telejornal, mesmo que não tivessem nada de particularmente ilegal ou controverso. E depois o assunto simplesmente decolou.

E isso me preocupa. E deveria preocupar a todos nós. Mas a realidade é que todos tinham as informações. Elas estavam disponíveis. E tratamos a questão da maneira como devíamos.

Agora, para avançar, acho que isso levanta algumas questões. Em primeiro lugar, simplesmente o desafio constante que teremos com a segurança cibernética em toda a nossa economia e em toda a nossa sociedade. Somos uma cultura digitalizada, e essas invasões ocorrem todos os dias. Não existe uma empresa, não existe uma grande organização, não existe uma instituição financeira, não existe um poder do nosso governo onde não haja alguém fazendo phishing ou tentando invadir ou colocar um vírus ou um malware. E é por isso que nos últimos oito anos estive obcecado com a maneira como constantemente atualizamos nossos sistemas de segurança cibernética.

E essa preocupação específica em relação à invasão russa é parte de um conjunto mais amplo de preocupações sobre como lidamos com as questões cibernéticas quando usadas de maneira que possam afetar nossa infraestrutura, a estabilidade dos nossos sistemas financeiros e a integridade das nossas instituições, como nosso processo eleitoral.

Há apenas algumas semanas, recebi – não foi muito divulgado – um relatório da nossa comissão de cibersegurança que descreve uma série de estratégias para melhorar isso. Mas é difícil porque não está tudo concentrado – o alvo dos ataques cibernéticos não é uma única entidade, mas é muito pulverizado, e boa parte é privado, como o Comitê Nacional Democrata. Não pertence ao governo. Não podemos dizer às pessoas o que fazer. O que podemos fazer é informá-las, promover as melhores práticas.

O que também podemos fazer é, bilateralmente, alertar outros países sobre esses tipos de ataque. E fizemos isso no passado. Portanto, recentemente disse à Rússia que parassem e indiquei que haveria consequências caso continuassem; os chineses praticaram ciberataques no passado, tendo como alvo nossas empresas, com o objetivo de roubar segredos comerciais e tecnologias patenteadas. E tive de ter essa mesma conversa com o presidente Xi, e vimos indícios de que reduziram – sem eliminar completamente – essas atividades, em parte porque podem usar intermediários.

Um dos problemas da internet e das questões cibernéticas é que nem sempre há o endereço do remetente, e quando o conseguimos, pode ser difícil atribuir o que aconteceu a um governo específico, e nem sempre se pode provar na Justiça, apesar das nossas comunidades de inteligência poderem fazer uma avaliação.

Também tentamos começar a criação de algumas normas internacionais a esse respeito para evitar uma espécie de corrida armamentista cibernética, pois, obviamente, temos recursos ofensivos assim como defensivos. E minha abordagem não é uma situação na qual todos perdem porque há gente constantemente lançando ataques para todo lado, mas levantar algumas barreiras contra o comportamento de Estados-nação, incluindo nossos adversários, para que compreendam que, o que quer que façam conosco, podemos potencialmente fazer com eles.

Temos alguns desafios especiais, é verdade, porque muitas vezes nossa economia é mais digitalizada, mais vulnerável, em parte por sermos uma nação mais rica e mais conectada do que alguns desses outros países. E temos uma sociedade mais aberta, com menos controle e censura do que se passa na internet, o que também faz parte do que nos torna especiais.

Por último… e ainda estou tratando desse assunto porque sei que vocês têm muitas perguntas a esse respeito e não falei diretamente com todos vocês sobre isso. Em relação à resposta, meu principal objetivo antes da eleição era garantir que ela acontecesse sem complicações, sem interferência, e que não alimentasse nenhum sentimento por parte do público de que de alguma forma o processo eleitoral estava sendo distorcido. E conseguimos.
Isso não significa que não iremos responder. Significa simplesmente que tínhamos prioridades urgentes antes das eleições. Nosso objetivo continua sendo passar uma mensagem clara à Rússia ou a outros, para que não façam isso conosco, porque também podemos agir contra eles.

Mas também é importante que façamos isso de maneira inteligente e metódica. Parte disso fazemos em público. Parte faremos de maneira que eles saibam, mas não todo mundo. E sei que muitas pessoas sugeriram que, se fizéssemos alguns pronunciamentos importantes, batendo no peito para falar de várias coisas, isso poderia assustar os russos de alguma forma. Mas lembrem-se de que já temos um número enorme de sanções contra a Rússia. A relação entre nós e a Rússia, infelizmente, piorou bastante nos últimos anos. Por isso uma resposta adequada que aumente os custos para eles devido a esse comportamento no futuro, mas que não crie problemas para nós, é algo que vale a pena ser pensado e elaborado. E foi exatamente o que fizemos.

Assim, em algum momento, quando tomarmos medidas que possamos divulgar ao público, nós o faremos. Em alguns momentos o recado será recebido diretamente pelos russos, sem que se torne público. E devo salientar, a propósito, que parte do sucesso dos russos nesse assunto deve-se ao fato de que eles não costumam divulgar o que estão fazendo. O Putin não sai dizendo a todo o mundo publicamente: vejam o que fizemos, não foi inteligente? Ele nega. Então a ideia de que de alguma maneira o embaraço público será eficaz, a meu ver, não é uma boa leitura do processo russo de pensamento.

OK?

P: Hillary Clinton perdeu por conta do ataque cibernético?

PRESIDENTE: Deixarei que todos os analistas políticos nesta cidade tenham uma longa discussão sobre o que ocorreu na eleição. Foi uma eleição fascinante, e tenho certeza de que muitos livros serão escritos a esse respeito.

Eu disse o que acredito ser importante para que o Partido Democrata avance, em vez de tentar analisar cada aspecto da eleição. Como disse antes, eu não poderia ter mais orgulho da secretária Clinton, de seu serviço impecável. Acho que ela trabalhou incansavelmente em nome do povo americano, e não acho que foi tratada de forma justa durante a eleição. Acho que a cobertura sobre ela e as questões foi preocupante.

E, a propósito, o que mais me ocupa no momento – o que é adequado, considerando o fato de que não serei mais político daqui a, o que, 32 dias? 31?

P: Trinta e quatro.

PRESIDENTE: Trinta e quatro? (Risos.) Mas o que disse é que eu talvez possa aconselhar o Partido Democrata. E acho que o que deve nos ocupar acima de tudo – pois é o que mais controlamos – é como garantir que apareçamos nos lugares onde acredito que as políticas democratas são necessárias, onde são úteis, onde fazem a diferença; mas onde as pessoas sentem que não estão sendo ouvidas e onde os democratas são vistos como litorâneos, liberais, bebedores de café com espuma, politicamente corretos e desatualizados. Precisamos estar nessas comunidades. E percebi que, quando estamos presentes nessas comunidades, fazemos a diferença.

Foi assim que me tornei presidente. Eu me tornei senador dos Estados Unidos não somente por ter uma base forte em Chicago, mas porque viajava pelo interior de Illinois, comia peixe frito, visitava a associação nacional de veteranos de guerra e falava com agricultores. E não ganhei todos os votos deles, mas eles entenderam o sentido do que eu dizia, que eu me importava, que eu estava do lado das pessoas trabalhadoras, do lado da classe média, que a razão do meu interesse em fortalecer os sindicatos, aumentar o salário mínimo, reconstruir nossa infraestrutura e garantir que pais tivessem assistência médica decente para os filhos e licença do trabalho para cuidar deles era porque a história da minha família não era muito diferente da história das famílias deles, mesmo que eu parecesse um pouco diferente. A mesma coisa em Iowa.

Então a questão é: como reconstruir o partido como um todo, de maneira que não haja nenhum condado em nenhum estado – não importa quão republicano – onde não tenhamos presença e onde não estejamos defendo nossas posições. Porque acredito que temos argumentos melhores. Mas isso requer muito trabalho. Foi algo que consegui fazer com sucesso em minhas campanhas. Não é algo que consegui transferir aos candidatos das eleições de meio de mandato e de alguma maneira construir uma organização sustentável. É algo que gostaria de ter feito mais, mas é difícil quando você está lidando, ao mesmo tempo, com diversas questões aqui na Casa Branca.

Mas isso não significa que não possa ser feito. E acho que haverá muitas pessoas talentosas por aí, muitos progressistas que compartilham meus valores e que liderarão esses esforços nos próximos anos.

Michelle Kosinski, da CNN.

P: Obrigada. Nesta semana ouvimos Hillary Clinton falar sobre como acredita que o pronunciamento mais recente do diretor do FBI impactou o resultado da eleição. Também soubemos, por meio de um artigo assinado, que o presidente da campanha democrata falou sobre haver algo profundamente roto dentro do FBI. Ele mencionou achar que, no início, a investigação foi negligente, segundo suas palavras. O que o senhor pensa a respeito desses comentários? O senhor acredita que há alguma verdade neles? O senhor acredita que haja perigo de estarem questionando a integridade das instituições, de maneira semelhante ao que fez a equipe de Donald Trump?

E a segunda parte é que a equipe de Donald Trump, por diversas vezes… suponho que indicando que a investigação da invasão russa, assim como sua retaliação, poderá não ser uma prioridade quando ele assumir, portanto, que risco o senhor acredita haver aí? E o senhor falará diretamente com ele sobre alguns desses comentários que ele fez?

PRESIDENTE: Bem, quanto a essa última parte, como disse antes, a transição da campanha eleitoral para a governança nem sempre é tranquila. Tem sobressaltos. E ainda há sentimentos muito fortes no ar. Ainda há gente pensando sobre como essas coisas vieram a acontecer. E entendo tudo isso. Mas quando Donald Trump fizer o juramento e assumir o cargo de 45o presidente dos Estados Unidos, ele terá responsabilidades e considerações diferentes.

E já disse isto antes: acho que, ao entrar no Salão Oval, você fica mais sério. E eu não compartilhei conversas privadas que tive com o presidente eleito. Direi que foram cordiais e, em alguns casos, consistiram em sugestões muito específicas minhas sobre como, independente de nossas profundas e evidentes discordâncias sobre políticas, talvez eu possa transmitir algumas ideias sobre a manutenção da eficiência, da integridade e da coesão do cargo e de várias instituições democráticas. E ele ouviu. Não posso afirmar que ele acabará implementando o que eu disse, mas as conversas em si foram cordiais e não defensivas, de modo nenhum. E eu sempre estarei disponível para ele, assim como os presidentes anteriores estiveram disponíveis para mim quando houve problemas.

Com relação ao FBI, posso dizer que tive a oportunidade de conhecer muitos dos seus agentes, conheço o diretor Comey, e eles levam seu trabalho a sério, e trabalham duro mesmo, ajudam na nossa segurança e salvam muitas vidas. E é sempre um desafio para a aplicação da lei quando o seu trabalho se mistura com o sistema político. É uma das dificuldades da democracia, de modo geral. Temos um sistema em que queremos que nossos investigadores e promotores sejam isentos da política, sejam independentes, ajam corretamente, mas às vezes há investigações que alcançam a política. E, sobretudo nesse clima ultrapartidário em que estivemos, tudo é suspeito, tudo o que você faz, de um jeito ou de outro.
Uma coisa que fiz foi ter muito cuidado para não interferir em decisões de investigação ou de processos ou decisões sobre não processar. Tentei ser muito severo em meu comportamento para preservar a independência da aplicação da lei, isento dos meus próprios julgamentos e avaliações políticas, em alguns casos. E não sei porque seria diferente agora.

Mike Dorning, da Bloomberg.

P: Obrigado, senhor presidente. Sobre Alepo, suas opiniões sobre o que acontece lá ser responsabilidade dos governos russo e iraniano e do regime de Assad foram amplamente divulgadas. Mas o senhor, como presidente dos Estados Unidos, líder do mundo livre, sente alguma responsabilidade moral agora ao final de sua Presidência pela carnificina que estamos todos assistindo em Alepo, a qual tenho certeza perturba o senhor – o senhor afirmou perturbá-lo?

E, em segundo lugar, ainda sobre Alepo, o senhor deixou claro novamente o seu desacordo com a ideia das zonas de segurança. E o presidente eleito Trump afirmou, durante toda a sua campanha, e novamente ontem à noite, que quer criar zonas de segurança na Síria. O senhor acha que precisa ajudá-lo, durante a transição, com essa implementação? Ou isso não é algo que o senhor deva fazer?

PRESIDENTE: Mike, sempre me sinto responsável. Eu me senti responsável quando crianças foram baleadas por atiradores. Eu me senti responsável quando milhões de pessoas foram deslocadas. Eu me senti responsável pelos assassinatos e massacres que ocorreram no Sudão do Sul e que não têm sido noticiados em parte porque não há tanta mídia social gerada a partir de lá.

Há lugares em todo o mundo onde coisas terríveis estão acontecendo, e, por conta do meu cargo, por ser o presidente dos Estados Unidos, sinto-me responsável. Eu me pergunto todos os dias se há algo que eu possa fazer para salvar vidas e fazer a diferença, poupar alguma criança que não merece o sofrimento.

Assim, isso é um ponto de partida. Não houve nenhum momento durante toda esta Presidência em que não tenha sentido alguma responsabilidade. E isso também se aplica ao nosso país. Quando assumi, as pessoas estavam perdendo seus empregos, suas casas, suas pensões e me senti responsável, e ia para casa à noite e me perguntava se havia algo que eu poderia fazer melhor ou algo mais inteligente, para fazer a diferença na vida dessas pessoas, para aliviar o seu sofrimento e suas dificuldades.

Por isso, em relação à Síria, o que fiz constantemente foi escolher a melhor direção para tentar acabar com a guerra civil, considerando, ao mesmo tempo, os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos a longo prazo.

E durante todo esse processo, baseado em horas de reuniões – dias ou semanas de reuniões, se juntarmos tudo – em que analisamos cada opção em detalhes minuciosos, com mapas, com os nossos militares, nossas agências de ajuda humanitária, nossas equipes diplomáticas, às vezes até com gente de fora, nossos críticos – o desafio estava sempre em não enviar grandes números de tropas americanas para o campo, sem convite, sem observar o Direito Internacional, sem apoio suficiente do Congresso, em um momento em que ainda tínhamos tropas no Afeganistão e no Iraque, e tínhamos acabado uma década de guerra onde gastamos trilhões de dólares, e quando a oposição local não tinha a coesão necessária para governar um país, com uma superpotência militar, a Rússia, preparada para fazer todo o possível para manter seu Estado-cliente envolvido, e com o poder militar regional do Irã observando os seus próprios interesses estratégicos vitais em jogo e disposto a enviar muitos dos seus e outros para apoiar o regime – e, nessas circunstâncias, a menos que fossemos com tudo para invadir a Síria, teríamos problemas, e tudo o mais era tentador porque queríamos fazer alguma coisa e parecia a coisa certa a ser feita, mas seria impossível fazer de forma barata.

E, nessas circunstâncias, tenho de tomar uma decisão como presidente dos Estados Unidos sobre o melhor – desculpem, o que está acontecendo? Alguém não está se sentindo bem? Bem, podemos chamar nossos médicos lá no fundo para ajudar. Alguém poderia ir à sala do meu médico e pedir que… tudo bem, onde eu estava?

P: Fazer barato.

PRESIDENTE: Então não podíamos fazer barato. Agora, pode ser…
Alguém pode por favor ajudar e trazer o doutor Jackson aqui? Alguém foi atrás do nosso médico?

P: Obrigado, senhor presidente, por interromper.

PRESIDENTE: Claro. Enquanto isso, deem um pouco de espaço a ela. O médico estará aqui em um segundo. Vocês sabem onde é a sala do médico? É só passar pela Sala das Palmeiras. É bem ao lado da Sala do Mapa. Lá está ele. Tudo bem, aí está o doutor Jackson. Ele é bom. Ok. O médico chegou.

P: O senhor dizia que não poderia fazer de forma barata.

PRESIDENTE: E não quero dizer que… digo isso com toda a sinceridade. Compreendo o impulso de querer fazer alguma coisa. Mas, em última instância, o que tive de fazer foi considerar o que poderíamos fazer de forma sustentável e realista. E a minha primeira prioridade tem de ser o que é bom para os Estados Unidos.

E nossa opinião tem sido que a melhor coisa a fazer é oferecer algum apoio à oposição moderada, para que possam se manter, e que não veríamos o sentimento anti-Assad transbordando para a Al Nusra e a Al Qaeda ou para o Estado Islâmico; que engajássemos nossos parceiros internacionais para pressionar todas as partes envolvidas, e tentar resolver isso por meios diplomáticos e políticos.

Não posso dizer que tivemos sucesso. Então isso é algo, assim como muitas das questões e dos problemas do mundo, com o qual tenho de dormir todas as noites. Mas continuo a acreditar que foi a abordagem correta, levando em conta o que poderia ser feito de forma realista sem a decisão, como eu disse, de entrar de forma muito significativa. E isso, acredito, não teria sido nem sustentável nem bom para o povo americano porque tínhamos várias outras obrigações a cumprir, guerras que já tínhamos iniciado e não tínhamos concluído.

Em relação à questão das zonas de segurança, é um problema constante. Um desafio constante das zonas de segurança é que, se você está criando essas zonas em território sírio, isso requer que algumas forças estejam dispostas a manter aquele território na ausência do consentimento do governo sírio e, agora, dos russos e dos iranianos. Então pode ser que com a trágica situação que vem se desenrolando em Alepo, nós possamos, no curto prazo, retirar mais das dezenas de milhares de pessoas que ainda estão presas lá, desde que os olhos do mundo estejam nelas e sintam a pressão, o regime e a Rússia concluam que estão dispostos a encontrar algum acordo, talvez em coordenação com a Turquia, por meio do qual essas pessoas possam ter segurança. Mesmo isso talvez seja temporário, mas ao menos resolve uma questão que surgirá no curto prazo.

Infelizmente, ainda nem chegamos a esse ponto, porque agora mesmo os russos e Assad afirmam que basicamente todos os civis inocentes que estavam presos em Alepo já saíram, enquanto organizações internacionais, organizações humanitárias mais bem informadas e que estão em campo, dizem que sem dúvida ainda há dezenas de milhares de pessoas que não conseguem sair e que estão prontas para partir praticamente em quaisquer condições. Portanto, no momento, nossa maior prioridade é continuar a pressionar a todos para que retiremos essas pessoas de lá.

P: Apesar de…

PRESIDENTE: Não posso ter muito…

P: Sobre a segunda questão, suas intenções foram amplamente divulgadas, mas o senhor se sente responsável, apesar de um movimento nessa direção, ou ajudará o presidente eleito Trump a se mover nessa direção?

PRESIDENTE: Ajudarei o presidente eleito Trump com quaisquer conselhos e informações que pudermos oferecer para que ele, após assumir, possa tomar uma decisão. Daqui até esse momento, há decisões que tenho de tomar com base em minhas consultas com nossos militares e com as pessoas que têm trabalhado nisso todos os dias.

Peter Alexander.

P: Senhor presidente, muito obrigado. O senhor pode, considerando todas as informações de inteligência que ouvimos até agora, garantir ao público, de uma vez por todas, que essa foi uma eleição livre e justa? E, especificamente sobre a Rússia, o senhor sente alguma obrigação agora, já que eles insistem em negar, de mostrar provas, de certo modo, como se diz, de investir no que acredita e divulgar parte das informações de inteligência, das evidências que existem? E, em termos mais gerais, já que isso diz respeito a Donald Trump, o senhor se preocupa sobre a relação dele com Vladimir Putin, sobretudo levando em conta algumas das recentes nomeações do secretariado, como a escolha de Rex Tillerson para secretário de Estado, que, ao lado de Putin, brindou com champanhe negociações de petróleo? Obrigado.

PRESIDENTE: Acho que estou ficando velho, porque começo a me perder com essas perguntas com muitas partes. (Risos.)

Posso garantir ao público que não houve o tipo de adulteração no processo eleitoral que era motivo de preocupação, e continuará sendo no futuro; que os votos dados foram contados de maneira adequada. Não encontramos indícios de adulteração em máquinas. Portanto, isso eu posso garantir.

O que não significa que verificamos todas as possíveis manipulações de todas as máquinas de votação do país, mas demos muita atenção a isso. Trabalhamos com autoridades estaduais, etc., e estamos confiantes de que isso não ocorreu e que os votos foram registrados e contados.

Bem, isso diz respeito a essa questão. Qual era a segunda?

P: A segunda era sobre tirar o sigilo de informações de inteligência.

PRESIDENTE: Tirar o sigilo. Veja, nós forneceremos as provas que possamos fornecer de forma segura, sem comprometer fontes e métodos. Mas serei honesto com você, quando falamos em cibersegurança, boa parte das informações são sigilosas. E não vamos fornecê-las porque a maneira como pegamos essas pessoas é sabendo certas coisas sobre elas que elas não querem que saibamos, e se formos monitorar essas coisas de maneira eficaz daqui para a frente, não queremos que elas saibam que nós sabemos.

Essa é uma daquelas situações em que, a menos que o povo americano acredite genuinamente que os profissionais da CIA, do FBI, toda a nossa infraestrutura de inteligência – muitos dos quais, a propósito, trabalharam em governos anteriores e são republicanos – são menos confiáveis que os russos, as pessoas devem prestar atenção ao que nossas agências de inteligência têm a dizer.

Isso é, em parte, o que quis dizer quando falei que temos de pensar sobre o que está acontecendo com a nossa cultura política aqui. Os russos não podem nos mudar, ou nos enfraquecer de maneira significativa. São um país menor. São um país mais fraco. Sua economia não produz nada que alguém queira comprar, exceto petróleo, gás e armas. Eles não inovam.

Mas eles podem nos impactar se nos esquecermos de quem somos. Podem nos impactar se abandonarmos nossos valores. Putin pode nos enfraquecer, assim como está tentando enfraquecer a Europa, se começarmos a comprar a ideia de que não há problema em intimidar a imprensa, prender dissidentes ou discriminar pessoas por conta de sua fé ou sua aparência.

E o que mais me preocupa é até que ponto, devido à ferocidade da batalha partidária, começamos a ver algumas pessoas no Partido Republicano e eleitores republicanos subitamente considerarem certos um governo e pessoas contrários a tudo que defendemos já que não gostam nada dos democratas.

Ou seja, pensem sobre isso. Algumas das pessoas que foram tradicionalmente muito críticas de minhas conversas com os russos também apoiaram o presidente eleito até quando ele disse que deveríamos eliminar as sanções à Rússia e parar de ser duros com eles, que deveríamos trabalhar junto com eles contra nossos inimigos comuns. Ele foi pessoalmente muito lisonjeiro ao senhor Putin.

Isso não foi notícia. O presidente eleito disse isso durante a campanha. E algumas pessoas que fizeram carreira como antirrussos não disseram nada. E, depois da eleição, de repente começaram a perguntar por que não dissemos que talvez os russos estivessem tentando ajudar seu candidato? Ora, por favor. Houve uma pesquisa, alguns de vocês a viram, em que – bem, isso é só uma pesquisa, mas de uma fonte bastante confiável – 37% dos eleitores republicanos aprovam o Putin. Mais de um terço dos eleitores republicanos aprovam Vladimir Putin, ex-dirigente da KGB. Ronald Reagan deve estar estremecendo em sua sepultura.

E como isso aconteceu? Aconteceu, em parte, porque, por muito tempo, tudo o que acontece nesta cidade, tudo que é dito é visto pela lente do “isso nos ajuda ou prejudica em relação aos democratas, ou em relação ao presidente Obama”? E, a menos que isso mude, continuaremos vulneráveis a influências externas, porque nos esquecemos de quem somos e o que defendemos.

Com relação às escolhas do presidente eleito, é sua prerrogativa, como tenho dito, que ele escolha quem acredite poder implementar suas políticas interna e externa da melhor maneira. Cabe ao Senado dar seu parecer e aprovação. Haverá muito tempo para que os membros do Senado analisem o histórico de todos os nomeados e determinem se são ou não adequados ao cargo.

Martha Raddatz.

P: Senhor presidente, quero falar sobre Vladimir Putin novamente. Só para deixar claro, o senhor acredita que Vladimir Putin autorizou pessoalmente a invasão cibernética? E o senhor acredita que ele o fez para ajudar a Donald Trump? E, quanto à inteligência, uma das coisas que Donald Trump cita é Saddam Hussein e as armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas. O senhor pode afirmar categoricamente que não foi a China, que não foi algum cara de 180 kg sentado na cama, como Donald Trump diz? E esses tuítes e declarações de Donald Trump fortalecem os russos?

PRESIDENTE: Quando o relatório estiver pronto, antes de eu deixar o cargo, todos os pontos estarão ligados. Então não quero atropelar o trabalho deles antes do tempo.

O que posso dizer é que as informações de inteligência que vi me dão grande confiança na avaliação de que os russos estão por trás dessa invasão.

P: Qual invasão?

PRESIDENTE: A invasão ao Comitê Nacional Democrata e a invasão a John Podesta.
Mas, de novo, é exatamente por isso que quero esse relatório pronto, para que todos possam analisá-lo. E isso foi informado, e as evidências em sessão fechada foram fornecidas de forma bipartidária – não só para mim, mas também aos líderes da Câmara e do Senado, e ao presidente e aos líderes dos comitês competentes. E acho que vocês já testemunharam que, pelo menos algumas das pessoas que viram as evidências, não discutem, a meu ver, a avaliação segundo a qual os russos realizaram o ataque.

P: Mas, especificamente, o senhor não pode dizer que…

PRESIDENTE: Bem, Martha, o quero garantir é que a comunidade de inteligência tenha a chance de coletar todas as informações. Mas quero fazer uma observação mais geral, que é a seguinte, pouca coisa acontece na Rússia sem Vladimir Putin. Essa é uma operação bastante hierárquica. Na última vez que verifiquei, não vi muito debate ou deliberação democrática, especialmente no que se refere a políticas direcionadas aos Estados Unidos.

Já afirmamos, e quero confirmar, que isso aconteceu no alto escalão do governo russo. E vou deixar que vocês decidam se há autoridades russas no alto escalão agindo independentemente e decidindo influenciar o processo eleitoral dos Estados Unidos sem o conhecimento de Vladimir Putin.

P: Então eu não estaria errada em dizer que o presidente acredita que Vladimir Putin autorizou a invasão?

PRESIDENTE: Martha, eu já lhe disse tudo o que tenho a dizer a esse respeito.

Qual foi sua segunda pergunta?

P: Os tuítes e as declarações de Donald Trump fortalecem a Rússia?

PRESIDENTE: Como disse antes, acho que o presidente eleito ainda está em modo de transição da campanha à governança. Acho que ele ainda não reuniu toda a sua equipe. Ele ainda tem porta-vozes de campanha meio que lhe substituindo e aparecendo em programas de TV a cabo. E a atitude e a vibração quando você não está no poder são completamente diferentes de quando você está no poder.

Assim, em vez de determinar se o que ele está fazendo no momento é apropriado ou não, acho que o que temos de observar é como o presidente eleito trabalhará e como sua equipe trabalhará quando tiverem sido plenamente informados sobre todas essas questões, quando puserem as mãos em todas as alavancas do governo e quando tiverem de começar a tomar decisões.

Acredito que uma abordagem unificadora do presidente eleito seria dizer que encoraja um processo bipartidário e independente que dê aos americanos a certeza não só de que os votos sejam contados corretamente e que as eleições sejam justas e livres, mas também que aprendemos algumas lições sobre como a propaganda de países estrangeiros na internet pode entrar na circulação sanguínea política e que temos estratégias para lidar com isso no futuro.

Quanto menos partidária for essa questão, melhor será para o povo americano, e por isso destaquei antes e vou continuar a insistir nisto: nossa vulnerabilidade em relação à Rússia ou a qualquer outra potência estrangeira está diretamente relacionada ao quão dividido, partidário e disfuncional nosso processo político é.

É isso que nos torna vulneráveis.

Se notícias falsas divulgadas por algum governo estrangeiro forem quase idênticas a reportagens produzidas por empresas de mídia partidárias, não é de se surpreender que a propaganda estrangeira terá um efeito maior, porque ela não parece absurda comparada a algumas das coisas que as pessoas ouvem de propagandistas nacionais.

Se em nosso diálogo político tudo está sob suspeita, todos são corruptos e todos estão trabalhando por motivos partidários, e todas as nossas instituições estão cheias de gente mal-intencionada – se é essa a história que está sendo divulgada por aí por qualquer partido que não esteja no poder, então se um governo estrangeiro apresentar o mesmo argumento com fatos fictícios, os eleitores que ouvem essas coisas há anos, que recebem isso todos os dias do rádio ou outros meios, eles acreditarão.

Então se quisermos realmente reduzir a influência estrangeira em nossas eleições, precisamos refletir sobre como assegurar que nosso processo político, nosso diálogo político, seja mais forte do que tem sido.

Mark Landler.

P: Obrigado, senhor presidente. Será que podemos deixar a Rússia para falarmos um pouco da China?

PRESIDENTE: Sem dúvida.

P: Seu sucessor conversou ao telefone com o presidente de Taiwan recentemente e depois declarou que não entendia por que os Estados Unidos precisam aderir à política de uma só China. Ele sugeriu que isso poderia ser usado como moeda de troca para talvez conseguir melhores condições em um acordo comercial ou mais cooperação em relação à Coreia do Norte. Já há indícios de que a tensão entre os dois lados subiu um pouco, e hoje mesmo os chineses claramente capturaram um drone subaquático no Mar do Sul da China. O senhor concorda, como algumas pessoas, que a nossa política com a China poderia ter um novo olhar? E qual é o problema de conversar um pouco ao telefone com o presidente de Taiwan? Ou o senhor se preocupa porque esse tipo de abordagem heterodoxa está nos colocando em rota de colisão com talvez nosso maior adversário geopolítico?

PRESIDENTE: É uma ótima pergunta. Fico no meio-termo. Acho que toda a nossa política externa deve estar sujeita a novos olhares. Já disse isso antes, tenho muito orgulho do trabalho que realizei. Acredito que sou um presidente melhor agora do que quando comecei. Mas se você fica aqui oito anos, na bolha, começa a ver as coisas de uma certa maneira, e você se beneficia, a democracia se beneficia, os Estados Unidos se beneficiam de algumas perspectivas novas.

E acho que deveria ser não só prerrogativa, mas obrigação, de um novo presidente examinar tudo o que foi feito e considerar o que faz sentido e o que não faz.

Foi o que fiz quando assumi, e imagino que qualquer novo presidente fará esses mesmos exercícios.

E dada a importância da relação entre os Estados Unidos e a China, considerando o quanto está em jogo em termos da economia mundial, da segurança nacional, da nossa presença no Pacífico Asiático, o papel cada vez mais importante da China nos assuntos internacionais – provavelmente não existe uma relação bilateral mais significativa, em que também há o perigo de, se a relação for rompida ou as partes entrarem em conflito direto, todos saírem perdendo.

Então acho ótimo ele estudar isso.

O conselho que dei ao presidente eleito é que nossa política externa em geral deve ser conduzida de forma sistemática, deliberada e intencional. E como só temos um presidente por vez, eu o aconselhei a, antes de começar várias interações com governos estrangeiros, exceto as ligações de praxe de cortesia, ter toda a sua equipe montada e trabalhar com ela para se informar sobre o que aconteceu no passado e onde estão os perigos potenciais, onde há oportunidades, o que aprendemos em oito anos de experiência, de forma que se ele conduzir a política externa em uma nova direção, ele disponha de todas as informações para tomar boas decisões e, a propósito, o governo caminhe todo em sincronia, com todos cantando do mesmo hinário.

E em relação à China – e vamos usar o exemplo de Taiwan – há um velho acordo, essencialmente, entre a China, os Estados Unidos e, até certo ponto, Taiwan, de não mudar o status quo. Taiwan não funciona como a China continental. A China vê Taiwan como parte da China, mas reconhece que tem de tratar Taiwan como uma entidade que tem sua própria maneira de fazer as coisas. Os taiwaneses concordaram que, desde que possam continuar a operar com algum grau de autonomia, não vão pressionar e declarar independência.

E esse status quo, apesar de não ser completamente satisfatório para nenhuma das partes envolvidas, manteve a paz e permitiu aos taiwaneses ser uma economia bastante bem-sucedida e um povo com alto nível de autodeterminação. Mas compreenda que, para a China, a questão de Taiwan é tão importante como qualquer outro item em sua agenda. A ideia de uma só China está no centro de seu conceito de nação.

Então se você reverter esse entendimento, você precisa ter pensado sobre quais serão as consequências, porque os chineses não tratarão disso como tratam de algumas outras questões. Eles nem tratarão disso da forma como tratam as questões relacionadas com o Mar do Sul da China, onde tem havido muitas tensões. Isso está relacionado com a essência de como eles se percebem. E a reação deles em relação a isso pode acabar sendo muito significativa.

O que não significa que temos de aderir a tudo o que foi feito no passado. Significa, sim, que temos de refletir e estar preparados para possíveis reações deles.

Bem, Isaac Dovere, da Politico.

P: Obrigado, senhor presidente. Duas perguntas sobre onde isso tudo nos deixa.

PRESIDENTE: O que nos deixa? Onde minha Presidência nos deixa?

P: A eleição…

PRESIDENTE: Em um lugar muito bom – (risos) – se tomarmos algumas boas decisões no futuro.

P: Bem, o que o senhor tem a dizer aos eleitores do Colégio Eleitoral que se reunirão na segunda-feira e pensam mudar seus votos? O senhor acha que eles devem receber informações da inteligência sobre a atividade russa? Ou eles devem ter em mente tudo o que o senhor disse e já foi divulgado? Os votos deveriam ser vinculados aos votos estaduais, como ocorreu? E, a longo prazo, o senhor acha que é necessária uma reforma do Colégio Eleitoral que o vincule ao voto popular?

PRESIDENTE: Pareceu duas, mas foi tudo uma só pergunta. (Risos.)

P: Foi tudo uma só. (Risos.) O senhor sabe como isso aqui funciona.

PRESIDENTE: Eu adoro a maneira como… recebo duas perguntas, cada uma com quatro partes. (Risos.)

P: Sobre o Partido Democrata, seu secretário do Trabalho está concorrendo à presidência do Comitê Nacional Democrata. A visão que o senhor o viu defender é o enfoque que o senhor acha necessário ao partido? O que o senhor tem a dizer sobre alguns críticos que dizem que o futuro do Partido Democrata não deveria ser uma continuação de algumas de suas abordagens políticas? Em parte, reclamam que decisões que o senhor tomou como presidente, como líder do partido, enfraqueceram o Comitê Nacional Democrata e o Partido Democrata, e acreditam que isso levou, ou ajudou a levar, a algumas derrotas nas eleições em todo o país. O senhor lamenta alguma dessas decisões?

PRESIDENTE: Ok.

P: Essas são minhas duas perguntas. (Risos.)

PRESIDENTE: Ótimo. Responderei a segunda primeiro e quero dizer que Tom Perez foi, a meu ver, um dos melhores secretários do Trabalho da nossa história. Ele é incansável. E incrivelmente inteligente. Conseguiu trabalhar em todo o espectro de trabalho, empresas e ativistas. Ele realizou. Quero dizer, se observamos o conjunto de sua obra em nome dos trabalhadores, o que ele defendeu para garantir que os trabalhadores recebam um acordo justo, salários decentes, melhores benefícios, para que sua segurança no trabalho seja protegida – ele foi extraordinário.

Agora, outros concorrentes também são amigos meus e ótimas pessoas também. E o que é ótimo é que eu não voto isso, portanto, deixaremos o processo se desenrolar. Não acredito que isso acontecerá logo. Descrevi a vocês anteriormente o que acredito que precisa acontecer, que o Partido Democrata, seja inteiramente pelo Comitê Nacional Democrata ou por meio da reconstrução dos partidos estaduais ou algum outro arranjo, precisa trabalhar na base, precisa estar presente em todos os 50 estados, precisa estar presente nos condados, precisa pensar sobre a mensagem e como falar diretamente aos eleitores.

Direi, sem me gabar demais, que não poderia estar mais orgulhoso da coalizão que reuni nas minhas campanhas, pois foi inclusiva e atraiu gente que normalmente não se interessava por política e não participava. Mas gosto de pensar, acho que posso mostrar isso nas minhas eleições, que sempre lanço uma rede grande. Sempre disse que, em primeiro lugar, somos americanos e temos um credo comum, que temos mais semelhanças do que diferenças, e que quero falar com todos e ter a chance de ganhar o voto de todos.

Ainda acredito no que disse em 2004, que essa ideia de estado vermelho/azul é uma invenção. Agora, é uma invenção que ganhou muita força por muitos motivos, de manipulações eleitorais a grana alta, incluindo a forma como a mídia se fragmentou. Então as pessoas estão simplesmente assistindo ao que reforça esse viés em vez de ouvir diferentes pontos de vista. Assim, há todo tipo de motivo por trás disso.

Mas fora do universo da política eleitoral, ainda vejo as pessoas como as via quando fiz meu primeiro discurso – cheias de contradições, com algumas diferenças regionais, mas, de modo geral, as pessoas se importam com as família, querem trabalho com significado, querem garantir que seus filhos tenham mais oportunidades do que elas tiveram. Querem estar seguras, querem sentir que há justiça. E quem quer que lidere o Comitê Nacional Democrata e qualquer candidato democrata no futuro, quero que sintam que podem encontrar e tocar esses interesses em comum – falar para os Estados Unidos como um todo. E isso requer alguma organização.

E você tem razão, e eu disse isso anteriormente, o que consegui fazer durante minhas campanhas não consegui fazer nas eleições de meio de mandato. E não é que não tenhamos dedicado tempo e esforços nesse sentido. Investi tempo e esforço nisso, mas acontece que a coalizão que reuni nem sempre acabou sendo transferível. E o desafio é que – vocês sabem, parte disso se deve simplesmente ao fato de que quando o seu partido está no poder e as pessoas estão passando dificuldades, como em 2010, elas vão punir, de certa forma, o partido do presidente, independentemente do trabalho organizacional que esteja sendo feito.

Em parte, isso se deve a alguns desafios tradicionais de longa data dos democratas, como o fato de, durante as eleições de meio mandato, o eleitorado ser mais velho, sendo que obtemos melhores resultados com um eleitorado mais jovem. Mas sabemos que são fatos, e não decifrei o código dessa questão. E se outras pessoas tiverem ideias sobre como fazer isso melhor, eu topo.

Com relação aos eleitores do Colégio Eleitoral, não vou me meter nessa questão novamente porque, insisto, cabe ao povo americano, e agora cabe aos eleitores do Colégio Eleitoral, escolher o meu sucessor. Não cabe a mim decidir quem será meu sucessor. E forneci muitas informações às pessoas sobre o que aconteceu durante as eleições. E, ainda mais importante, os próprios candidatos, a meu ver, falaram de suas crenças e de sua visão para os Estados Unidos. O presidente eleito, penso eu, foi muito explícito sobre o que considera importante e no que acredita. Portanto, isso não está nas minhas mãos agora; mas nas mãos deles.

P: E quanto ao Colégio Eleitoral no longo prazo?

PRESIDENTE: O Colégio Eleitoral no longo prazo – o Colégio Eleitoral é um vestígio, uma sobra de uma visão mais antiga de como nosso governo federal trabalharia depositando muitos incentivos nos estados, e o Senado não era eleito diretamente, mas pelos legislativos estaduais. E é o mesmo tipo de raciocínio que dá a Wyoming, com cerca de 0,5 milhão de habitantes, dois senadores, e à Califórnia, com 33 milhões, também dois.

Então existem algumas estruturas em nosso sistema político, como concebidas por nossos fundadores, que em alguns momentos são desvantajosas para os democratas. Mas a verdade é que, se temos uma mensagem forte, se falamos com os americanos sobre o que é importante para eles, geralmente o voto popular e o do Colégio Eleitoral se alinham.

E acho que parte da mensagem geral que quero deixar aqui antes das festas é que se buscarmos uma explicação, uma fórmula mágica ou uma solução fácil para nossa política, provavelmente sairemos decepcionados. Há muitos fatores para o que aconteceu, não somente nos últimos meses, mas na última década, que tornam a política e a governança mais desafiadoras. E acredito que todos levantaram questões e preocupações legítimas.

Espero que todos tiremos um tempo, respiremos um pouco – certamente, é o que aconselharei aos democratas – para refletir um pouco mais sobre como chegar a um ponto em que todos estejam concentrados em trabalhar juntos com base em pelo menos alguns fatos comuns. Como ter um diálogo sobre políticas que não demonize uns aos outros. Como canalizar o que acredito ser a decência e a bondade básicas do povo americano, para que se reflitam em nossa política, em vez de tanta polarização e crueldade ao ponto de, em alguns casos, alguns eleitores e autoridades eleitas tenham mais fé e confiança em um adversário estrangeiro do que em seus vizinhos.

E isso nos leva a algumas questões mais importantes. Como é que alguns eleitores e autoridades eleitas acreditam que a iniciativa de alimentação saudável e o programa de nutrição escolar de Michelle Obama seja uma ameaça maior à democracia do que nosso governo perseguir a imprensa quando é publicada uma matéria que não lhe agrada? Ou seja, esse é um problema que temos de enfrentar – e enfrentaremos.

As pessoas têm me perguntado como me sinto depois da eleição e etc., e digo, bem, vejam, este é um momento esclarecedor. É um lembrete útil de que a eleição importa, a política importa. O que o presidente eleito fará será muito diferente do que fiz, e acho que as pessoas conseguirão comparar, contrastar e julgar o que funciona para o povo americano.

E espero que, com base nos avanços que fizemos, as propostas do presidente eleito funcionem. O que posso dizer com segurança é que o que fizemos funciona. Isso eu posso provar. Posso mostrar onde estávamos em 2008 e onde estamos agora e não dá para dizer que não estamos em uma situação melhor.

Estamos. E por isso, agradeço ao povo americano e, mais importante, agradeço – bem, não mais importante – igualmente importante – a Josh Earnest por realizar um trabalho tão bom. (Risos.) Por isso, agradeço ao povo americano. Agradeço aos homens e mulheres militares. Ainda não cheguei ao ponto onde fico sentimental demais.

Direi que, quando estava fazendo a última fila de fotos de Natal – muitos de vocês participaram, elas são longas – bem ao final da fila, entra a Banda da Artilharia da Marinha do Presidente, que estava tocando, e tirei uma foto com eles, e era a última vez que tiraria uma foto com minha Banda da Artilharia da Marinha após um evento, e fiquei um pouco engasgado. Porém, eu estava em frente dos fuzileiros navais dos EUA, então tive de segurar.

Mas foi só um pequeno exemplo de todas as pessoas que contribuíram para o nosso sucesso. Sou responsável pelos nossos erros. Os sucessos são amplamente compartilhados com todas as pessoas maravilhosas que fizeram parte deste governo.

Agradeço a todos. Mele Kalikimaka.

FIM 16h06 (horário da Costa Leste dos EUA)


Fonte: https://br.usembassy.gov/pt/

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